Qualidade de Vida

Meu tempo é quando

Neste post um poema sobre o tempo de Vinícius de Moraes. Dispensa comentários e apresentações…

Poética_Vinícius de Moraes

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

Vida Moderna

A crônica deste post é atribuída a Luis Fernando Veríssimo, mas, como você já sabe, na internet toda fonte é duvidosa. Pelo sim pelo não acho o texto fantástico. Já usei várias vezes como proposta para discussões de grupo em meus cursos de Administração do Tempo e Gerenciamento de Estresse.

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Conta e Tempo

Este post tem um jeitão diferente. Um poema do frade português António das Chagas.  Cuidai do seu tempo enquanto é tempo!

Conta e Tempo

Deus pede estrita conta do meu tempo e eu vou do meu tempo dar-lhe conta, mas como dar, sem tempo, tanta conta, eu que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para ter minha conta feita a tempo, o tempo me foi dado e não fiz conta não quis, sobrando tempo, fazer conta, hoje quero acertar conta e não há tempo.

Ó vós que tendes tempo sem ter conta, não gasteis vosso tempo em passa-tempo.

Cuidai, enquanto é tempo, de vossa conta, pois aqueles que sem conta gastam o tempo, quando o tempo chegar de prestar contas, chorarão, como eu, o não ter tempo.

Frei Antônio das Chagas

Da economia do tempo

 

Neste post trago um dos meus textos favoritos. Uma epistola do filosofo latino Sêneca.

As cartas de Sêneca a Lucílio (Epistolae morales ad Lucilium) são consideradas a grande obra-prima do filósofo latino. A epistola “Da economia do tempo” faz parte da seleção de 29 textos do livro Aprendendo a Viver editado pela L&PM com tradução de Lucia Sa Rebello e Ellen Itanajara Neves Vranas.  As cartas de Sêneca fazem parte de uma longa tradição do gênero epistolar, e se distinguem das cartas comuns por não se destinarem à comunicação de natureza pessoal ou familiar, aproximando-se mais da crônica histórica. É comum ao gênero a presença de um interlocutor para desenvolver a filosofia por meio do diálogo. No caso de Lucílio, não há sequer confirmação de que ele tenha existido.

Note como o texto, apesar de ter sido escrito a centenas de anos, consegue ser de uma modernidade desconcertante.

Da economia do tempo

Sêneca saúda o amigo Lucílio

Comporta-te assim, meu Lucílio, reivindica o teu direito sobre ti mesmo e o tempo que até hoje foi levado embora, foi roubado ou fugiu, recolhe e aproveita esse tempo. Convence-te de que é assim como te escrevo: certos momentos nos são tomados, outros nos são furtados e outros ainda se perdem no vento. Mas a coisa mais lamentável é perder tempo por negligência.

Se pensares bem, passamos grande parte da vida agindo mal, a maior parte sem fazer nada, ou fazendo algo diferente do que se deveria fazer.

Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? Nisso, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte.

Então, caro Lucílio, procura fazer aquilo que me escreves: aproveita todas as horas; serás menos dependente do amanhã se te lançares ao presente. Enquanto adiamos, a vida se vai. Todas as coisas, Lucílio, nos são alheias; só o tempo é nosso. A natureza deu-nos posse de uma única coisa fugaz e escorregadia, da qual qualquer um que queira pode nos privar. E é tanta a estupidez dos mortais que, por coisas insignificantes e desprezíveis, as quais certamente se podem recuperar, concordam em contrair dívidas de bom grado, mas ninguém pensa que alguém lhe deva algo ao tomar o seu tempo, quando, na verdade, ele é único, e mesmo aquele que reconhece que o recebeu não pode devolver esse tempo de quem tirou.

Talvez me perguntes o que faço para te dar esses conselhos. Eu te direi francamente: tenho consciência de que vivo de modo requintado, porém cuidadoso. Não posso dizer que não perco nada, mas posso dizer o que perco, o porquê e como; e te darei as razões pelas quais me considero miserável. No entanto, a mim acontece o que ocorre com a maioria que está na miséria não por culpa própria: todos estão prontos a desculpar, ninguém a dar a mão.

E agora? A uma pessoa para a qual basta o pouco que lhe resta, não a considero pobre. Mas é melhor que tu conserves todos os teus pertences, e começarás em tempo hábil. Porque, como diz um sábio ditado, é tarde para poupar quando só resta o fundo da garrafa. E o que sobra é muito pouco, é o pior. Passa bem!

Arte da Hora

Muito bacana a ilustração do publicitário André Gola da AlmapBBDO no projeto Arte da Hora, desenvolvido pela JCDecaux, empresa responsável pelos relógios de rua de São Paulo.